Ismael dos Santos

Deputado Estadual

Partido: Partido Social Democrático (PSD)
Nascimento: 16 julho 1965 (51 anos)
Comissões:
Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
Direitos Humanos
Prevenção e Combate às Drogas

Graduação/Profissão
Administração (FURB-1986)
Letras (FURB-1991)
Especialização em Qualidade na Comunicação (FURB-1998)
Mestrado em Literatura (UFSC-2001)
Doutorado em Literatura (UFSC-2006)
Escritor com 46 obras publicadas
Base Eleitoral: Blumenau
Mandatos: 2011/2014 e 2015/2018

 

Biografia

Sou nascido em Blumenau, em uma família de 10 irmãos, onde dois faleceram ao nascer. Minha mãe gostava tanto da história bíblica de Ismael, filho de Hagar, que não titubeou em colocar o mesmo nome: “Deus sempre escuta”, justificava mamãe, referindo-se ao significado hebraico do meu nome.

Aos 12 anos me apaixonei pela música. Ganhei um trompete de papai e por mais de uma década toquei em diferentes bandas e orquestras. Mais tarde, sonhei ser cantor. Lembro do primeiro troféu que conquistei no Festival Interno da Canção (FEINC), e em seguida, um outro troféu no Festival da Juventude (FEJUC), ambos em Lages. Mas sem uma orientação vocal e por abraçar outros desafios, o sonho atingiu no máximo a gravação de um CD na companhia de alguns amigos. Canções Inesquecíveis se tornou um álbum para ajudar ações sociais em diferentes regiões de Santa Catarina.

Tornei-me um devorador de livros. A Biblioteca Pública de Lages passou a ser o meu lugar predileto de visitação. Comecei lendo toda a obra de Júlio Verne e Monteiro Lobato.

Aos 14 anos conheci o meu primeiro emprego fora de casa. Comecei trabalhando em um escritório de contabilidade. Notas fiscais, carimbos e livros contábeis ocupavam o meu dia; a noite, o Colégio Diocesano me equipava com novas ferramentas intelectuais e, é claro, novos sonhos.

Com apenas 15 anos, conheci Denise. Foram seis anos de namoro. Tempo bom. Tempo de mergulhar no mundo das emoções. Tempo de refletir sobre o que ser no futuro. Tempo de aprender a amar e a ser amado. Casamos em 1986. Hoje temos dois filhos, Israel e Deise.

Aos 17 ingressei no primeiro curso superior: administração (FURB); depois busquei também formação no curso de Letras (FURB); fiz uma pós-graduação em Comunicação (FURB), e Mestrado e Doutorado em Literatura, ambos pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Por alguns anos mantive em rádio e TV o programa Voz e Ação; mas no campo da oratória minha paixão maior sempre foi pelo púlpito.

28 de novembro de 1982. Não dá pra esquecer esta data. Pela primeira vez preguei em um congresso de jovens. A mensagem? Vidas em Chamas. Meia hora de pura adrenalina.

conduzir o auditório à reflexão.

Por falar em reflexão, dediquei pelo menos metade dos meus anos ao ensino de disciplinas cristãs. Mesmo tendo frequentado apenas um curso médio em Teologia (FAETAD), aprendi com papai a ser um autodidata no campo das ciências bíblicas. Assim, ajudei a fundar o Seminário Pentecostal de Massachusetts; depois colaborei na implantação da ETEBLU (Escola Teológica de Blumenau) e participei como co-fundador da ETEBRAS (Escola Teológica Brasileira). Por vários anos ministrei aulas de hermenêutica na EETAD, no Centro de Treinamento Missionário Vida e em centenas de escolas bíblicas por todo o país.

Quando casei, aos 21 anos, eu e Denise tomamos a decisão de que investiríamos tempo, energia e recursos no auxílio a pessoas carentes na periferia de Blumenau. Começamos ajudando no Lar Betânia, uma creche fundada pelo meu guru na área social, o saudoso Pastor Woldemar Kinas. É dele a frase lapidar: “Quem não investe na criança, hipoteca o futuro”.

Depois surgiu o sonho de construir uma comunidade terapêutica para abrigar jovens dependentes químicos. Reuni amigos e voluntários, visitei instituições similares em todo o país e, finalmente, em 1992 surgia o Centro Terapêutico Vida (CTV). Nestes últimos 20 anos já passaram mais de mil jovens por nossa instituição. O programa é de nove meses, com capacidade para 30 internos. Nós conseguimos reunir uma excelente equipe técnica: médicos, assistentes sociais, psicólogos e monitores. Os internos que permanecem na totalidade do programa oferecido têm atingido um índice de 75% de reabilitação da dependência química.

Minha carreira na política

Do envolvimento com as demandas sociais à experiência política o caminho se revelou extremamente curto.

Porém, aqui, mais do que em qualquer outra área de minha modesta biografia, há uma palavra que precisa ser soletrada com todas as letras:

p – e – r – s – e – v – e – r – a – n – ç – a.

Basta lembrar que disputei nove eleições: perdi quatro, ganhei quatro e, costumo dizer, empatei uma.

Tudo começou com as eleições para vereador em 1988. Três meses antes das eleições recebi o convite de um candidato a Prefeito. Filiei-me ao seu partido e caí na estrada. Sem experiência, sem estrutura e com menos de 90 dias de campanha o resultado se mostrou pífio: não cheguei a 500 votos. Quatro anos depois a história foi outra: mergulhei na leitura de biografias de políticos vencedores, aprendi estratégias e retornei à estrada: tornei-me o segundo vereador mais votado naquele pleito, com quase dois mil.

O primeiro discurso na tribuna da Câmara de Vereadores de Blumenau eu nunca esquecerei: foram breves cinco minutos defendendo um orçamento maior para as políticas públicas de financiamento a programas voltados à criança e ao adolescente.

Dois anos depois um novo erro de estratégia político eleitoral: uma candidatura precoce à Assembléia Legislativa; o resultado, desanimador: pouco mais de dez mil votos; entretanto, no pleito seguinte à Câmara de Vereadores, fiquei novamente entre os três mais votados.

O envolvimento com as demandas sociais do município levaram o Prefeito Décio Lima a me convidar para assumir a Secretaria Municipal da Criança e do Adolescente. Mesmo contrariando a decisão do partido em que estava filiado na época, aceitei o desafio. Como a legislação eleitoral permitia, durante os dois anos que comandei a SECRIAD fiquei sem vínculos partidários. Valeu a pena apostar no social. Conseguimos implantar mais de 20 programas, atendendo diretamente cinco mil crianças em Blumenau. Faria tudo de novo. E a população aprovou me reconduzindo pela terceira vez ao legislativo municipal, desta vez como o campeão de votos daquela eleição, com 3.324 eleitores.

Em 2002, uma nova aventura eleitoral. Apesar do fracasso na primeira tentativa para uma vaga na Assembléia Legislativa, tomei coragem e encarei uma nova eleição. O resultado saiu até no Jornal Nacional da Rede Globo: o candidato mais votado em Santa Catarina, com 59.563 votos, mas não eleito. Faltou legenda. Estava num partido pequeno e com uma nova interpretação do Superior Tribunal Eleitoral não poderia estar coligado com outro partido. Ganhei mas não levei.

Após 12 anos na Câmara de Vereadores, sentia-me cansado; afinal, além de legislar, fiscalizar, discursar e coordenar mutirões de pavimentação de ruas, eu chegava a atender 20 pessoas por dia no Gabinete. Sabia que era hora de parar. Dar oportunidade a uma nova geração de vereadores; entretanto, como não queria abandonar a política, restou-me uma única alternativa, ser candidato a Prefeito, mesmo sabendo da distante possibilidade de vitória. Foi nesta época que adotei o meu slogan preferido: quem não tem estrela, tem que ter estrada.

Eu e o Leo Bittencourt, candidato a Vice-Prefeito, visitamos mais de mil residências e percorremos a pé pelo menos uns 20 corredores de serviço, levando a nossa proposta de governo à cidade. Partido minúsculo, dinheiro zero (não conseguimos recurso para pagar sequer um único cabo eleitoral). Para produzir os cinco minutos de horário eleitoral na televisão, vendi o meu único patrimônio, um automóvel. O gostoso eram os debates. Modéstia à parte, eu e o ex-Deputado Federal Wilson Souza (também candidato a Prefeito), “dávamos um banho”. Mas política é mais que emoção. É matemática. Entre os seis prefeituráveis, fiquei em terceiro lugar, com 20 mil eleitores. Cinco minutos após o resultado oficial eu já estava de cabeça erguida dando uma entrevista na TV Galega, compartilhando dos meus próximos projetos políticos.

Porém, no dia seguinte a “ficha caiu”. Em menos de 90 dias eu estaria desempregado. Pensei em abandonar a arena política. Poderia optar pelo magistério ou por uma carreira eclesiástica. Mas a voz interior não cessava de sussurrar: a perseverança é a rainha das virtudes. Recebi um convite do então Senador Raimundo Colombo para assessorá-lo no Vale do Itajaí. Topei a idéia e durante dois anos atuei como assessor parlamentar ligado ao Senado Federal.

Na eleição seguinte para Deputado Estadual, lá estava eu. Como havia sido o campeão de votos da eleição anterior, fui vencido facilmente pela estratégia dos adversários que insistiam com os eleitores: “O Ismael já está garantido. Foi o mais votado e não será diferente agora”. A velha história do “já ganhou” anunciada aos quatro cantos fez mais uma vítima: conquistei apenas 25.938 votos, tornando-me o sétimo suplente da coligação. Desta vez não resisti às lágrimas. Foi a derrota eleitoral que mais doeu. Mesmo assim, dois anos depois assumiria pela primeira vez o cargo de Deputado Estadual na condução de suplente e lá permaneci por 18 meses. A experiência foi elementar para mudar positivamente minha concepção de fazer política, adotando ferramentas científicas e estratégias profissionais. Pronto. Era tudo o que eu precisava para as próximas eleições: uma vitrine que me proporcionasse visibilidade e me devolvesse a minha auto-estima.

Quem não tem estrela, tem que ter estrada. Comecei a rodar uma média de dez mil quilômetros todos os meses. Visitei Câmaras de Vereadores, Prefeituras, ONGs, igrejas, comunidades terapêuticas, associações de moradores. Sempre ouvindo lideranças políticas, entendendo as demandas das diferentes regiões catarinenses, escrevendo e distribuindo livros e fazendo três, quatro, cinco palestras por semana.

E, então, nas eleições de 2010, o resultado foi muito acima da expectativa: 55.644 eleitores catarinenses me fizeram o sétimo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa, com votos em 286 dos 293 municípios de Santa Catarina. Sim, após quatro tentativas para conquistar uma vaga no Parlamento eu podia olhar para trás e exclamar: valeu a perseverança, mas valeu muito mais a promessa de Deus.

Nas últimas eleições, em 2014, já com experiência e muita estrada no currículo, consegui chegar aos 66.818, ocupando a terceira maior votação de Santa Catarina para Deputado Estadual.