Como surgiu o CTV

Quando casei, aos 21 anos, eu e Denise tomamos a decisão de que investiríamos tempo, energia e recursos no auxílio a pessoas carentes na periferia de Blumenau. Começamos ajudando no Lar Betânia, uma creche fundada pelo meu “guru” na área social, o saudoso Pastor Woldemar Kinas. É dele a frase lapidar: “Quem não investe na criança, hipoteca o futuro”.

Em seguida, surgiu o projeto para construir uma comunidade terapêutica, buscando abrigar jovens dependentes de substâncias químicas. Reuni amigos e voluntários, visitei instituições similares em todo o país e, finalmente, em 1992 surgia o Centro Terapêutico Vida (CTV). Nas últimas duas décadas, passaram mais de dois mil jovens por esta instituição. O programa terapêutico consiste em nove meses de acolhimento e a casa possui capacidade para 30 internos. Conseguimos reunir uma excelente equipe técnica: assistentes sociais, psicólogos e monitores. Os acolhidos que permanecem na totalidade do programa atingem um índice de 60% de reabilitação da dependência química. Em 2010, passei o bastão do comando do CTV, tornando-me um colaborador à distância.

   De fato, ao assumir a presidência da Comissão de Combate e Prevenção às Drogas da ALESC, ampliei minha atuação nesta área, buscado contribuir para a formulação de novas políticas públicas neste complexo desafio das drogas. Em 2011, visitei 70 comunidades terapêuticas em Santa Catarina e organizei audiências públicas em todas as regiões do Estado, desenhando uma radiografia das drogas em nossos principais municípios. Os relatórios, devidamente anotados, e o paralelo com as informações obtidas junto à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), revelaram números assustadores: 700 mil dependentes de álcool; 180 mil estudantes do ensino fundamental e médio fazem usam esporádico de drogas ilícitas; 70 mil usuários de crack em terras catarinenses.

O Governador Raimundo Colombo visitou comigo algumas instituições de tratamento a usuários e imediatamente acionou os Secretários da Saúde, da Assistência Social, da Segurança, da Justiça e Cidadania e os membros do Conselho Estadual de Entorpecentes para, juntos com a Rede de Saúde Pública, aprimorar as políticas de atendimento aos dependentes de substâncias psicoativas.

Acredito que a minha maior contribuição neste campo se traduz no projeto de financiamento do Governo estadual de mil vagas em uma centena de comunidades terapêuticas. Uma bandeira que, hasteada no Parlamento, julgo ser uma das mais importantes iniciativas para reduzir os números negativos da segurança pública e para socorrer milhares de famílias que vivenciam a trágica experiência de ter um de seus membros mergulhado no submundo das drogas. Nos primeiros três anos do Programa Reviver, o Governo catarinense patrocinou o acolhimento de mais de 15 mil dependentes químicos em comunidades terapêuticas.