Construindo a própria família

Com apenas 15 anos, conheci Denise. Foram seis anos de namoro. Tempo bom. Tempo de mergulhar no mundo das emoções. Tempo de refletir sobre o que ser no futuro. Tempo de aprender a amar e a ser amado. Casamos em 1986.

A vida a dois sempre será uma escola sem diploma. Todo dia aprendemos com os acertos e os equívocos. Quatro anos depois, nasceria o nosso primeiro filho, Israel. Quando chegamos ao décimo ano de casamento, nasceu a Deise.

Não raro a vida permite que nossos sonhos se realizem na vida de nossos filhos. Após uma frustrada experiência eleitoral, decidi ir embora do Brasil. Vendi o carro que possuía e, com mais três amigos, coloquei a mochila às costas. Ficamos dois meses na Europa e no Oriente Médio. De lá segui viagem sozinho para os Estados Unidos. Passei apenas dois meses tentando ganhar à vida na terra dos dólares; mas, para mim também “os pássaros de lá não gorjeiam como os daqui”. Retornei às origens.

Entretanto, o sonho que não concretizei de morar nos Estados Unidos, o meu filho Israel realizou. Com apenas 15 anos partiu para a América do Norte, onde permaneceu por três longos anos. Dominou o idioma e se especializou em música. É um exímio guitarrista. De lá rumou para uma temporada de seis meses na França. Dominou com facilidade o idioma de Bonaparte e fez também a sua conquista: o coração de uma francesa, com quem casou três anos depois.

Sintetizo meu apreço pelo casal que gerei na dedicatória anotada em um de meus livros: Israel e Deise, filhos amados, em vossos olhos florescem sonhos. Procurei motivá-los à ingressarem numa universidade. Israel optou por Comércio Exterior; Deise, Jornalismo.

Anos depois, chegariam os netos do casamento franco-brasileiro: Anthony e Heloise. Atualmente residindo na França, eles me fazem sofrer com a tirania das saudades.